Os olhos ardem em volta, se alguma explicação, ou causa, mesmo tendo certeza que não foi a mão suja que horas antes teria coçado o olho que insistia em embassaçar logo que se acorda com estes repletos de remela.
A vermelhidão dá logo os sinais de algo que pode ser grave, mas ainda não é. E ai, começa o banho de água no lugar que esta quase ferindo, numa tentativa desesperada, e futil, de fazer com que tudo se resolva logo, e que sua pele volte a estar lisa e perfeita como era na noite passada. A água, gelada como as manhas de inverno alivia a dor e o incomodo, fazendo com que as esperanças de que tudo se resolvera rapido desperte com a certeza de que ninguem vá reparar seu incomodo.
E assim, ao secar a região afetada, logo se vai em direção ao seu café, com a certeza que tudo ja se resolvera.
Então, depois deste primeiro gole, parece que o olho vai se fechar, de tamanha queimação e uma coceira que não te deixa em paz. E as mãos, cheias de margarina e pão, como numa reação automatica, é levada em direção ao ferimento, ou a "dermatite", fazendo com que o vermelho fique quase como sangue, e a coceira aumente mais ainda, devido as migalhas de pão e margarina da mão contaminada.
E volta a lavar o olho, com a água gelada que refresca a ja calorosa manhã, e a vermelhidão da uma trégua ao pobre pedaço de pele que sofrera com as esfregadas da nojenta mão suja de pão e magarina.
Se mais uma vez, a esperança de que ja melhorou e a vida continua volta.
Ja na rua, o inferno volta e agora não tem mais água. Apenas a mão, que agora ja pegou dinheiro, o corrimão do ônibus, o jornal e até alguns pelos do cachorro que não o deixava dormir a noite toda. Num ato de desepero, sem saber o que fazer, reluta um tempo até que a coceira é maior que saber que sua mão ja esta suja de tudo quanto é coisa. E a coceira agora é tão grande que não há maneiras de parar de coçar. E, ainda assim, mesmo sabendo que o melhor é perder algumas horas com o médico, claro, ele vai ter dar o atestado que será compensado no serviço, continua tudo como esta.
E sempre tendo a mesma esperança, o dermatite vira cancer, o cancer se espalha e tudo acaba.
E acaba, sem mesmo saber onde foi parar sua escova verde.
segunda-feira, 13 de agosto de 2007
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